O pior cego é aquele que não quer ver


"O pior cego é aquele que não quer ver". Você já viu essa expressão alguma vez? Sabe o que ela significa? Afinal, como é possível que alguém de vista normal não consiga enxergar? Isso tem algum sentindo? Certamente que sim! De fato, existe uma grande diferença entre VER e ENXERGAR. Essa discrepância é bastante interessante e, por isso, é tema de muitos artigos e textos.
Visão é um dos cinco sentidos do corpo humano. É o principal meio pelo qual absorvemos informações. Segundo o livro "Visual Impact, Visual Teaching", cerca de 40 % de todas as fibras que vão para o cérebro está conectada a retina (membrana que reveste a parte interna do olho e é responsável pela formação da imagem). Isso é impressionante!
O ato de ver envolve a absorção da luz através do olho, a conversão desta em um impulso nervoso. Daí, este impulso é enviado para o cérebro, onde é ele decodificado e gerado a impressão visual, ou seja, a imagem em si, aquilo que imaginamos estar vendo. Isso significa que quando VEMOS, apenas estamos tomando consciência visual daquele objeto ou pessoa.

 
Enxergar, por outro lado, envolve a atenção. Quando enxergamos algo, estamos, na verdade, analisando aquela impressão visual que foi gerada no cérebro. Por exemplo, se há uma luz piscando e miramos a vista para ela, certamente poderemos ver ela. Agora, se enxergamos, vamos analisar o que realmente é aquilo, se é uma lâmpada ou uma moeda reluzindo. De fato, o ato de enxergar envolve tanto a visão como a mente. Assim, podemos dizer que é possível que aquilo que imaginamos estar vendo não seja uma impressão verdadeira do que realmente há.
Podemos comprovar isso. A prosopagnosia é um distúrbio que causa uma desordem da percepção da face, ou seja, a pessoa com esse problema não consegue identificar os rostos. Isso significa que alguém com prosopagnosia poderiam passar pelos próprios pais na rua e não reconhecer eles! Eles podem ver, mas o que enxergam do rosto não associam com uma pessoa.
Um esquizofrênico pode ver. Mas sua doença mental gera impressões visuais irreais. Eles veem coisas que não existem. Entretanto, do ponto de vista de uma pessoa com essa doença, aquilo que elas veem é tão real como qualquer outro objeto. Sua capacidade de enxergar aquilo que vê está danificado.
Assim, por esses casos extremos, podemos facilmente notar que a impressão visual que temos das coisas é um somatório de nossa visão com nossa mente. A nossa personalidade, gostos, ideias e interesses podem influenciar a forma como vemos o mundo e a nós mesmos. Se nossa mente estiver doente, nossa visão também será.
No passado, os europeus criaram um conceito negativo sobre os negros, o que promoveu a escravidão. Para os brancos em geral (sempre houve pessoas contra), ao ver um negro, o que eles enxergavam era um objeto, um bem financeiro, um animal de criação. A visão deles estava distorcida. E que não tinha esse conceito, costumava aceitando e enxergavam da mesma maneira. Infelizmente, continuam existindo muitas visões distorcidas.


Conforme a expressão no começo do texto, o pior cego é aquele que não está disposto a enxergar, analisar, considerar, aquilo que vê. Se a pessoa estiver tão envolvida na rotina, dificilmente verá a beleza de um sorriso de uma criança ou um belo luar. Se a mente do individuo tiver conceitos distorcidos sobre os outros ou sobre si mesmo, talvez só irar ver os defeitos. Estamos numa sociedade que incentiva apenas a ver, pois enxergar poderia resultar na falência. Felizmente, ver ou enxergar é uma questão de ponto de vista.



Alexandre Valério Ferreira



REFERÊNCIAS


Comentários

  1. Gostei sim! muito bom!hehehehehheheeheh... é isso aê! janyce araujo

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    1. Fico muito feliz! Gostei muito de ter feito esse texto! Apesar do trabalho que me deu, pois perdi o trabalho todo e tive que começar do zero!

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  2. Beeeelo texto,eu recomendo ler e reler *-*

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