A espera

Estação de trem. Foto: autor.

   Esperava naquela estação...Não sabia bem o quê. Seria a linha que me levasse para um lugar melhor? Seria mais um vagão que me escondesse dos medos? Não sabia responder. Só peguei o próximo trem. Nem sempre temos escolha. As vezes, temos que aproveitar o que temos, utilizar as cartas que tem na manga. Bem, eu não tinha muitas escolhas, então entrei no ultimo vagão.
   Todos esperamos algo. Temos sonhos. Quem não tem? Quem não deseja algo melhor? Mas, naquele instante, com o som do arrastar dos vagões sobre os trilhos de aço, perguntei sobre os rumos da minha vida. Nem sempre faço isso. Acho que é porque dá medo encontrar a resposta. Isso não é bom. Andar sem rumo é como navegar sem saber para onde ir. Assim, não importa onde paremos, sempre será um fracasso.
   Sentei-me na ultima cadeira. Longe de todos. Ninguém ligava para minha vida, é claro. Mas, sempre que sentimos vergonha, imaginamos que todos saibam de nossos erros. Era, eu estava errado. Estava fugindo novamente. Não podia fazer isso! Tenho que me decidir. Tenho que voltar. 
   Quando pensei isso, notei que me senti melhor. Agora tinha um rumo. Um objetivo. Voltaria para casa. Cansei de fugir. Fugir dos pais, das notas, da escola, da vida. Que loucura! Mas, o problema é que quando estamos loucos, a insanidade parece fazer todo o sentido. 



Alexandre Valério Ferreira



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