Indefinido

Foto: autor.


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A neblina densa cobria tudo. A minha visão se limitava a alguns metros. O sol iluminava em algum lugar na imensidão acinzentada do céu outrora azulado. Ainda não era possível tirar o véu que estava cobrindo o meu enxergar.
  De pés para o infinito distante e difuso do sertão, tentava pensar um pouco sobre como não pensar em nada. A gente precisa parar de vez em quando. Existem momentos que começamos a perder o prumo e a obra começa a ficar inclinada, torta. Se continuar assim, poderá desmoronar. 
  Nessas horas, é importante ter a cabeça fria e andar um pouco mais devagar. A neblina dificulta a visão do motorista. Tolice grande seria negar o perigo e continuar indo em alta velocidade. Arriscar a vida desnecessariamente não me parece ser motivo de orgulho.
  A névoa foi demorando para sumir. Lentamente, naturalmente, o mundo foi dando suas caras. Talvez fosse isso que eu precisasse entender. Tudo é uma questão de ir um passo por vez. Envolve, portanto, tempo. Tempo, essa dimensão complicada e que torna qualquer questão de física mais complexa.
  Enquanto a escuridão se esvanecia, minha mente se clareava. Eu, então, decido me levantar e aceitar o novo dia que nascia. As névoas de dúvida perderam a força. Talvez apareçam amanhã de novo, mas, como diz um velho clichê: "amanhã é outro dia". Talvez seja mesmo.



De Alexandre Valério Ferreira







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